Por que seu site tem que ser responsivo?

Aqui mesmo neste blog, você viu que os usuários vêem o seu site como um local para realizar uma tarefa. Ele busca um deteminado conteúdo e sai satisfeito se conseguiu cumprir sua tarefa com sucesso.

Com a onipresença dos smartphones, a relação com seu conteúdo mudou e novas tarefas foram criadas. Na rua, se estiver precisando comprar algo, a pessoa vai buscar pela região não olhando para as vitrines dos estabelecimentos, mas para a tela do celular, e assim economizará tempo e dinheiro. Numa reunião, dificilmente há o acesso a computadores para todos, mas um dispositivo móvel pode suprir a necessidade de busca por informações de última hora.

Se seu site contem essa informação essencial mas não a exibe de uma forma útil num dispositivo móvel, gera frustração e a necessidade de uma nova busca. Aí você já perdeu a chance de causar uma boa impressão, de fazer mais gente entrar em sua loja ou contratar seu serviço.

Espero que não fique assustado, mas não conseguir exibir seu conteúdo em celulares e tablets, ou seja, ter um site responsivo de verdade, é deixar o dinheiro sobre a mesa para que um concorrente venha e o pegue.

Pessoas estão naturalmente estendendo as mídias

A experiência de ver um filme, um programa de tv ou ouvir uma música hoje é totalmente diferente de 10 ou 5 anos atrás. E não só por causa de Facebook ou Twitter, que com o compartilhamento rápido acabou substituindo todas as tentativas de redes sociais específicas nas quais era preciso lembrar de logar para registrar que se assistiu aquele episódio da série. Durante as transmissões, além da conversa paralela, há a vontade de se buscar referências e saber ainda mais sobre o que se está consumindo.

A conveniência de não ter que ligar um computador para obter ou enviar uma informação torna o smartphone uma companhia ideal para as mais diversas atividades de lazer. Se seu site não abre direito pra mostrar aquela informação naquele momento, o usuário vai pular para a próxima opção da lista. Aí a relevância passa pela usabilidade e pelo desempenho.

Neste caso, não é apenas o conteúdo se encaixar de uma forma legível e os elementos de design permitirem interações num dispositivo sem mouse – botões grandes para dedos imprecisos. A performance é importantíssima, pois estamos num cenário de conexão limitada e intermitente. Design e programação devem ser eficientes de forma a carregar o essencial rapidamente e usando poucos dados.

Imagine aparecer num resultado da busca do Google como um site de “carregamento lento” ou “não compatível com seu dispositivo”?

O Google pune

O Google, que tem massiva participação no mercado de dispositivos móveis, não apenas tira posições nas buscas porque um conteúdo é ruim, mas agora favorece quem consegue exibir conteúdo útil para os smartphones. Utilizando-se de seu poder como maior mecanismo de busca, o Google regula o mercado, exigindo dos sites e aplicações atualização tecnológica constante. Imagino que os esforços dos acadêmicos e cientistas por uma web semântica tivessem que ser maiores se não fosse a tesourada do Google em sites com navegação feita por imagens ou construídos inteiramente em Flash.

Hoje, o Google não só verifica se o site está adaptado ao mobile e sua performance de carregamento, como carrega sua própria versão no Chrome para Android. Uma versão que dá apenas uma prévia da página e informa do carregamento lento da página em celulares, o Google Web Light. Para o usuário, o “carregamento otimizado” parece um favor que o Google está fazendo, adaptando uma página que não carregaria para o celular dele. Na prática, ele remove funções, inclusive ações como uma busca ou um cadastro, e exibe apenas um trecho de informação capturada do seu site, que pode não ser a que o usuário estava procurando quando caiu nesse resultado. Em resumo, o Google mostra que seu site existe, mas o inutiliza para o dispositivo móvel. Isto é, quando mostra.

Mas não é só porque o Google quebra seu site no celular que seu site precisa ser usável e veloz num dispositivo móvel. A Mozilla aumentou em 15% os downloads de Firefox ao reduzir o carregamento da sua landing page em 2.2s. A Amazon, com apenas 100ms de melhora da velocidade, consegue aumentar seu faturamento em 1%. O próprio Google calcula que vai economizar 45 vezes em servidores com o novo logo, que tem apenas 305 bytes, contra os 14 Kb do anterior.

O design deve privilegiar escolhas mais rápidas, tornar a experiência do usuário menos penosa, exibindo as primeiras coisas a se fazer. Quais são as primeiras coisas a se fazer? Verifique o que dá mais retorno, o que as pessoas procuram mais, se é possível entrar em contato por ali mesmo.

E agora?

O seu site visto no computador e usado com mouse está lindo, cheio de belas animações, fácil de usar e traz bons resultados. E o site no celular, está abrindo? É possível completar uma compra ou entrar em contato?

Um site responsivo não é só o que se encaixa na tela do dispositivo móvel, mas sim o que abraça suas características: pouca precisão, conexão lenta ou limitada, necessidade de exibir tarefas mais importantes antes.

Se seu site não abre no celular ou abre como se fosse num computador, duas coisas podem acontecer: 1) o Google vai te punir e 2) o usuário será obrigado a utilizar outra fonte de informação.

E aí, vai continuar perdendo espaço para a concorrência?